Evento realizado nesta segunda-feira, 13, reforça parceria estratégica entre as instituições e aborda desafios globais à saúde humana

Aconteceu nesta segunda-feira, 13 de abril, no Anfiteatro Heitor Masson Cirne Lima, a nova edição do Ciclo de Seminários Compesq/ComPG. Organizada com o apoio do Escritório de Internacionalização da UFCSPA, a atividade reuniu gestores e pesquisadores da instituição e da Universidade de Coimbra (UC), de Portugal, para discutir temas emergentes na área da saúde e consolidar acordos de cooperação técnica e científica entre as duas universidades.

Durante a abertura, a reitora Jenifer Saffi celebrou a presença da comitiva portuguesa, liderada pelo vice-reitor de Relações Internacionais da UC, João Nuno Calvão da Silva. “Temos muitas áreas em comum. As duas faculdades de Coimbra aqui presentes cobrem praticamente 80% dos cursos de graduação e pós-graduação que oferecemos aqui”, destacou a reitora. Segundo Jenifer, a reunião busca estabelecer um plano de trabalho concreto para potencializar a mobilidade acadêmica e a investigação conjunta.

O vice-reitor reforçou o prestígio da UFCSPA e a intenção de aprofundar os intercâmbios. “Estamos impressionados com a excelência que testemunhamos aqui; esta é uma etapa importante para alargar a cooperação ao longo do tempo através de atividades científicas concretas”, finalizou. A agenda dos diretores portugueses na universidade incluiu ainda visitas a laboratórios e reuniões com coordenadores de programas de pós-graduação.

A primeira conferência da tarde, intitulada “Resíduos de Medicamentos em Alimentos”, foi conduzida pelo professor Fernando Jorge dos Ramos, diretor da Faculdade de Farmácia da UC. Especialista em segurança alimentar e perito da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), o palestrante explicou como a tecnologia de cromatografia líquida de alta performance aliada à espectrometria de massa permite identificar resíduos mínimos em matrizes como carne, leite e ovos.

Fernando Ramos alertou para o perigo do uso indiscriminado de substâncias proibidas na produção animal, citando casos de intoxicação por clenbuterol e a proibição do cloranfenicol. “A ciência, no fundo, trata de avaliar o que é seguro para nós comermos. Nós construímos o futuro através dessa vigilância”, afirmou o professor catedrático. Ele ressaltou que a presença inadvertida de antibióticos nos alimentos é um dos pilares que sustenta a crise de resistência microbiana no mundo.

Dando continuidade ao debate, o professor Carlos Robalo Cordeiro, diretor da Faculdade de Medicina da UC e presidente da Sociedade Respiratória Europeia (ERS), ministrou a conferência “Saúde Global”. O médico pneumologista abordou as principais ameaças contemporâneas, como a poluição atmosférica, as alterações climáticas e a desinformação. “A poluição é considerada a primeira ameaça à saúde global pela OMS e tem impactos diretos e indiretos que colapsam os sistemas de saúde”, pontuou.

Cordeiro apresentou dados sobre o impacto das queimadas e da má qualidade do ar na saúde cardiovascular e respiratória, além de defender a transição para práticas mais sustentáveis na medicina, como o uso de inaladores de pó seco. “Até 2050, podem morrer tantas pessoas por causas relacionadas à resistência antimicrobiana quanto todas as neoplasias juntas mais a diabetes”, alertou o docente, enfatizando a urgência de uma abordagem de "Saúde Única" (One Health).

O palestrante também destacou a importância do "imunofitness" - a combinação de estilos de vida saudáveis, qualidade do sono e imunização ao longo de toda a vida. Ele lamentou o crescimento da hesitação vacinal alimentada por notícias falsas. “A desinformação é o maior risco global de curto prazo. Ela não ameaça apenas a adesão às vacinas, mas a própria confiança na ciência”, concluiu o diretor da Faculdade de Medicina de Coimbra.